Monday, December 18, 2006

E as filhas, as filhas...como falar das nossas filhas? Uma filha é uma boa desculpa para comprarmos todos aqueles brinquedos que nunca tivemos em crianças; é uma forma assustadora de nos recordar como éramos aos 13; é a pessoa com quem pensamos que vamos deixar de nos preocupar quando chegar a adulta, mas que nos continuará a preocupar quando tiver 40. Ás vezes amar uma filha pode ser difícil, têm tendência para gostar de tudo o que nós não apreciamos, mas são mais parecidas connosco do que gostaríamos de admitir. No entanto, a melhor cura dos nossos males é ouvi-las rir.


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Friday, November 24, 2006

A vinda dos filhos tudo muda, a nossa vida nunca mais volta a ser a mesma, não há retorno e isso é assustador: O dia em que primeiro filho nasce é uma experiência aterradora e isso ninguém nos diz. Mas depois eles crescem e tornam-se os seres mais adoráveis que alguma vez pensamos encontrar, o nosso peito enche-se duma sensação tão incrivelmente avassaladora que só pode ser Amor, numa forma irreconhecível a quem nunca amou um filho.

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Wednesday, November 08, 2006

São os filhos que nos ensinam o sentido do verbo “preocupar”. Antes deles não nos lembramos de ter dado tanta importância ao estado do mundo, as notícias não eram assim tão perturbadoras. A ansiedade assalta-nos quando pensamos no seu crescimento. Será que irão ter oportunidade de crescer? Haverá um mundo para eles crescerem?

Obrigado pelo seu comentário gentil Kafie. Quanto ao objectivo do blog é falar sobre ser mãe, o que implica, o que complica...Eu escrevo sobre o que sinto e penso, quem lê pode fazer o mesmo.

Wednesday, October 11, 2006

Às sete da manhã trouxeram-ma, confirmei com ansiedade, era a minha Inês, quis amamenta-la, mas ela recusava-se a agarrar no mamilo. Soube depois que durante a noite a tinham alimentado a biberão, só consegui amamentá-la meia dúzia de vezes, dava menos trabalho chupar a tetina, já o aprendera. O colostro, tão importante nas primeiras horas do bébé para o seu sistema imunitário e para estimular as glândulas mamárias, desperdiçado devido a um detalhe burocrático. Estive dois meses a tirar o leite à bomba, mas um dia secou. Começara a minha odisseia, a de uma mãe convicta que só ao pé dela a sua filha está bem.

RESPOSTA A "me": É isso o que realmente pensa ou está só a dizer o que é suposto?

Friday, September 08, 2006

Sonhava com amamentar, tinha adorado estar grávida, modéstia à parte era uma grávida resplandecente. Não engordara um quilo mais do que o peso da Inês, mantivera-me elegante e orgulhava-me disso, sem sacrifícios, pura e simplesmente sentia pouca fome. Estive a noite inteira à espera do meu bébé, mas como ela nascera de noite, o berçário fechara, e não a vi até de manhã (só fiquei a saber deste facto posteriormente) apesar dos pedidos insistentes às outras parturientes para chamarem a enfermeira que me tinha dito: “Levo-a já.”. Não consegui dormir, fechava os olhos e via alguém a levar a minha menina ao encoberto da noite, o único pensamento reconfortante que conseguia ter era que ela era inconfundível, já a vira, não me podiam entregar outro bébé sem ser o meu, saberia que não era meu.

Eu sei que o nome do blog é por demais ouvido e usado, mas comente que eu respondo. A ideia é estabelecer diálogo, este é um espaço pensado para quem queira desabafar e ser respondido. Diga de sua justiça...


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Saturday, September 02, 2006

A Inês nasceu num dia de Novembro às dez da noite, depois de nove horas de expectativa, de dor, de epidural, de ameaça de cesariana porque o seu ritmo cardíaco estava irregular. Saiu por fim e foi imediatamente pousada em cima da minha barriga. Era a cara chapada do pai, até ao pormenor do característico bico de viúvo. A mãe do meu marido quando viu a sua única neta, filha do seu único filho afirmou emocionada: “É o meu filho pequenino novamente!”

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Thursday, August 31, 2006

Primeira ecografia, passada a angústia inicial, estava tudo bem, a criança estava a desenvolver-se de acordo com o esperado. Segunda ecografia: “O coração está bem, conseguem-se ver os rins na perfeição. Repare aqui o crânio, a coluna, as pernas flectidas, mas... deixe-me ver...quer saber o sexo? Sim? É uma menina.” Por estranho que pareça não tínhamos pensado muito em nomes. Eu tinha critérios definidos há muito para a sua escolha, tinha que ser pequeno (sempre detestei diminutivos: “Margarida – Guida, Alexandra – Xana, Cristina – Tina, etc., etc., etc.), tradicional, pouco empregue (o meu era daqueles que havia aos cinco na minha turma). Vagueei entre Leonor, Beatriz, Isabel, até que me ocorreu um dos meusepisódios preferidos da nossa História, a história de Inês de Castro. Estava decidido iria ser Inês, ponto final, parágrafo.
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Wednesday, August 30, 2006

Eu estava grávida. Incrível! Não conseguia processar a informação que o funcionário da farmácia me transmitia. Aquele objecto com aparência de termómetro tinha sido mergulhado na minha urina, entregue uns minutos antes, não consigo precisar quantos, e exibia agora uma risca azul. ”Positivo” – afirmava o senhor. Pois, devia ter razão, mas nem o meu cérebro, nem o meu coração compreendiam.
A esta altura é conveniente explicar que aquela era uma mulher casada há cinco anos, com vinte e nove anos de idade, e fazia amor há vários meses sem nenhum tipo de contraceptivo, na expectativa de engravidar. Como diz o popular provérbio: “Quem anda à chuva molha-se!”, parecia ser a conclusão lógica, mas nem assim. Qual lógica qual carapuça! A lógica não tem definitivamente nada a ver com o assunto.
A noite fria de Fevereiro em que o sono não veio e uma excitação desconfortável tomou conta de mim era afinal uma premonição da ansiedade que o meu futuro encerrava. Essa foi a primeira de muitas noites insones.
Durante toda a minha vida adulta tinha afirmado que nunca iria ter filhos, não me achava particularmente maternal, apesar de adorar crianças e de o sentimento ser recíproco. De alguma forma, ser mãe não parecia ser uma decisão acertada no meu caso. Mas as nossas convicções mudam, faz parte da vida, do processo de crescimento, da aprendizagem permanente que é estar vivo, da necessidade de amadurecer para melhor compreender quem nos rodeia. E sejamos sinceros nada nos torna mais humanos do que ser pais. E pronto estava decidido, ia ser mãe.

Monday, August 28, 2006

Que fiz eu hoje?

Hoje deixei alguma loiça por lavar,
A cama foi feita pelas três e meia.
As fraldas tiveram de molho um pouco mais tempo,
O cheiro tornou-se um pouco mais intenso.
As migalhas derramadas ontem,
Olham para mim desde o chão.
As dedadas na parede,
Ainda lá estarão no próximo Verão.
Os riscos sujos nos vidros das janelas,
Ainda lá estarão nas próximas chuvas.
Que vergonha! Tu sentas-te e dizes:
Que fiz eu hoje, que valha pevas?

Segurei um bebé até ele adormecer,
Segurei o que começou a andar enquanto chorava.
Brinquei às escondidas,
Apertei um brinquedo que chiava.
Empurrei um carro, cantei uma canção,
Ensinei a uma criança a diferença entre o certo e o não.
Que fiz eu durante todo o dia?
Nada que se veja, pode ser verdade.
A menos que pense: Aquilo que fazia
Era importante para alguém
Pequeno, fofo, de tenra idade.
Se for assim...Fiz algo decerto.