Primeira ecografia, passada a angústia inicial, estava tudo bem, a criança estava a desenvolver-se de acordo com o esperado. Segunda ecografia: “O coração está bem, conseguem-se ver os rins na perfeição. Repare aqui o crânio, a coluna, as pernas flectidas, mas... deixe-me ver...quer saber o sexo? Sim? É uma menina.” Por estranho que pareça não tínhamos pensado muito em nomes. Eu tinha critérios definidos há muito para a sua escolha, tinha que ser pequeno (sempre detestei diminutivos: “Margarida – Guida, Alexandra – Xana, Cristina – Tina, etc., etc., etc.), tradicional, pouco empregue (o meu era daqueles que havia aos cinco na minha turma). Vagueei entre Leonor, Beatriz, Isabel, até que me ocorreu um dos meusepisódios preferidos da nossa História, a história de Inês de Castro. Estava decidido iria ser Inês, ponto final, parágrafo.
Thursday, August 31, 2006
Wednesday, August 30, 2006
Eu estava grávida. Incrível! Não conseguia processar a informação que o funcionário da farmácia me transmitia. Aquele objecto com aparência de termómetro tinha sido mergulhado na minha urina, entregue uns minutos antes, não consigo precisar quantos, e exibia agora uma risca azul. ”Positivo” – afirmava o senhor. Pois, devia ter razão, mas nem o meu cérebro, nem o meu coração compreendiam.
A esta altura é conveniente explicar que aquela era uma mulher casada há cinco anos, com vinte e nove anos de idade, e fazia amor há vários meses sem nenhum tipo de contraceptivo, na expectativa de engravidar. Como diz o popular provérbio: “Quem anda à chuva molha-se!”, parecia ser a conclusão lógica, mas nem assim. Qual lógica qual carapuça! A lógica não tem definitivamente nada a ver com o assunto.
A noite fria de Fevereiro em que o sono não veio e uma excitação desconfortável tomou conta de mim era afinal uma premonição da ansiedade que o meu futuro encerrava. Essa foi a primeira de muitas noites insones.
Durante toda a minha vida adulta tinha afirmado que nunca iria ter filhos, não me achava particularmente maternal, apesar de adorar crianças e de o sentimento ser recíproco. De alguma forma, ser mãe não parecia ser uma decisão acertada no meu caso. Mas as nossas convicções mudam, faz parte da vida, do processo de crescimento, da aprendizagem permanente que é estar vivo, da necessidade de amadurecer para melhor compreender quem nos rodeia. E sejamos sinceros nada nos torna mais humanos do que ser pais. E pronto estava decidido, ia ser mãe.
A esta altura é conveniente explicar que aquela era uma mulher casada há cinco anos, com vinte e nove anos de idade, e fazia amor há vários meses sem nenhum tipo de contraceptivo, na expectativa de engravidar. Como diz o popular provérbio: “Quem anda à chuva molha-se!”, parecia ser a conclusão lógica, mas nem assim. Qual lógica qual carapuça! A lógica não tem definitivamente nada a ver com o assunto.
A noite fria de Fevereiro em que o sono não veio e uma excitação desconfortável tomou conta de mim era afinal uma premonição da ansiedade que o meu futuro encerrava. Essa foi a primeira de muitas noites insones.
Durante toda a minha vida adulta tinha afirmado que nunca iria ter filhos, não me achava particularmente maternal, apesar de adorar crianças e de o sentimento ser recíproco. De alguma forma, ser mãe não parecia ser uma decisão acertada no meu caso. Mas as nossas convicções mudam, faz parte da vida, do processo de crescimento, da aprendizagem permanente que é estar vivo, da necessidade de amadurecer para melhor compreender quem nos rodeia. E sejamos sinceros nada nos torna mais humanos do que ser pais. E pronto estava decidido, ia ser mãe.
Monday, August 28, 2006
Que fiz eu hoje?
Hoje deixei alguma loiça por lavar,
A cama foi feita pelas três e meia.
As fraldas tiveram de molho um pouco mais tempo,
O cheiro tornou-se um pouco mais intenso.
As migalhas derramadas ontem,
Olham para mim desde o chão.
As dedadas na parede,
Ainda lá estarão no próximo Verão.
Os riscos sujos nos vidros das janelas,
Ainda lá estarão nas próximas chuvas.
Que vergonha! Tu sentas-te e dizes:
Que fiz eu hoje, que valha pevas?
Segurei um bebé até ele adormecer,
Segurei o que começou a andar enquanto chorava.
Brinquei às escondidas,
Apertei um brinquedo que chiava.
Empurrei um carro, cantei uma canção,
Ensinei a uma criança a diferença entre o certo e o não.
Que fiz eu durante todo o dia?
Nada que se veja, pode ser verdade.
A menos que pense: Aquilo que fazia
Era importante para alguém
Pequeno, fofo, de tenra idade.
Se for assim...Fiz algo decerto.
Hoje deixei alguma loiça por lavar,
A cama foi feita pelas três e meia.
As fraldas tiveram de molho um pouco mais tempo,
O cheiro tornou-se um pouco mais intenso.
As migalhas derramadas ontem,
Olham para mim desde o chão.
As dedadas na parede,
Ainda lá estarão no próximo Verão.
Os riscos sujos nos vidros das janelas,
Ainda lá estarão nas próximas chuvas.
Que vergonha! Tu sentas-te e dizes:
Que fiz eu hoje, que valha pevas?
Segurei um bebé até ele adormecer,
Segurei o que começou a andar enquanto chorava.
Brinquei às escondidas,
Apertei um brinquedo que chiava.
Empurrei um carro, cantei uma canção,
Ensinei a uma criança a diferença entre o certo e o não.
Que fiz eu durante todo o dia?
Nada que se veja, pode ser verdade.
A menos que pense: Aquilo que fazia
Era importante para alguém
Pequeno, fofo, de tenra idade.
Se for assim...Fiz algo decerto.
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