Thursday, March 22, 2007


CAMPEONATO NACINAL DE LÍNGUA PORTUGUESA
AS RESPOSTAS SUGERIDAS COM RELATIVA CERTEZA

Quantos erros encontra neste texto?
Não passavam das oito da manhã quando se ouviu um grande estrondo. Faziam seis anos que as Torres Gémeas tinham sido destruídas por uma acção terrorista. Joana pensou que era outro tentado. Mas não. Era apenas uma explosão destinada a deitar a baixo um muro por uma empresa de construção civil. Vivia em Nova Iorque haviam alguns anos e ainda receava passear nas ruas. No dia anterior, tinha passado por uma conhecida loja de modas e, na montra, lia-se: «Precisam-se empregados». Dirigia-se agora para lá afim de tentar a sorte na busca de um emprego. Quando lá chegou preguntou se os lugares já estavam preenchidos. A empregada ia a responder, quando um rapaz interviu: «Não, não está. Deixe as suas referências. Logo à tarde o patrão decidirá». Joana saiu da loja pensando: «Deus queira que o patrão não esteja mau humorado na hora de decidir, porque me fazia muito geito arranjar este emprego.

E.11

1. Na frase «examinou os prós e os contras da proposta», a que classe de palavras pertencem «prós» e «contras»:

A.nome

2. Qual o feminino de «diácono»:

B.diaconisa

3. Qual o sentido da palavra «benemerente»:

B.benemérito

4. O verbo coaxar (no sentido real e não figurado) é:

B.unipessoal

5. De entre estes derivados de topónimos, qual está bem grafado:

C.espírito-santense

6. Qual destas formas verbais está incorrectamente escrita:

A.tu dissestes

7. Qual o plural de «guarda-chuva»:

B.guarda-chuvas

8. Indique a frase correcta:

A.São eles quem vai à final.

9. Quanto à classe das palavras, como classifica o «que» na frase «as suas crónicas são tão importantes que foi eleito o cronista do ano»:

C.conjunção subordinativa consecutiva

10. Qual a palavra que se encontra errada quanto ao acento gráfico:

A.contrapôr

11. Qual das frases está errada:

A.Não irei hoje à escola, tão pouco amanhã.

12. O numeral ordinal de 800 é:

A.octingentésimo

13. Indique a frase correcta:

A.Se ela se contivesse e não fosse tão emotiva estaria em melhores condições.

14. «Dar tanga a alguém» significa:

C.divertir-se à sua custa

15. Nas opções seguintes, assinale a correcta:

D.O mais pequeno não chegava à mesa, o maior batia nela com os joelhos.

16. Qual a origem da palavra «metamorfose»:

B.grega

17. Que significa «discricionário»:

C.que é arbitrário

18. Qual a forma da 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo do verbo reaver:

C.reouve

19. Indique a frase correcta:

C.O animal mostrava grandíssima inquietação.

20. Em qual destas expressões não há uma forma verbal no infinitivo:

A.Quando chegares.


Quantos erros encontra neste texto?
Depois de cegar o trigo, os camponeses resolveram açar uns enchidos de buxo. Estavam com muita sede, pelo que o maioral deu uma rodada de vinho, após o que quiz por a garrafa bem arrulhada, não fosse entornar-se. Mas como não à janta sem pão, criam comer as iguarias acompanhadas de broa. O bom do homem teve, assim, de colocar a cela no cavalo e partir à desfilhada, na eminência de tombar a cada curva do caminho. Passou o mortal, que já estava bem deferente, muito viçoso, e nem tempo teve para se consular com alguns frutos, como tinha por hábito fazer quando por ali passava. Comprou a broa e regressou num hápice. Diante do passo, ainda pensou em parar e convidar o morgado, mas arrependeu-se, pois o patrão ainda se lembraria de o mandar mugir a vaca, e o seu bom censo ditava que se haviasse, pois estava esfomeado, e o pitéu não esperava. Sabia decisão! Assim que o cavalo estacou, estenderam-lhe um prato e, muito lambareiros, poseram-se todos a comer.

C.21

21. Indique a palavra correcta:

B.numero

22. Assinale a frase correcta:

C.Entre tantos moradores, a gente dos grupos de Leste é muito trabalhadora.

23. «Armento» é um nome colectivo que significa um conjunto de:

B.gado

24. Qual destas palavras tem origem árabe:

B.assassino

25. Qual o significado de «à matroca»:

B.descuidadamente

26. Qual a frase correcta:

B.Informei-o de que não iria.

27. «Picanço» significa:

C.artefacto para tirar água de poços

28. Nas acepções seguintes, indique qual é aplicável à palavra «arriar»:

C.abaixar

29. Diga qual a opção em que as palavras estão correctamente escolhidas:

C.São iguais àqueles que já vistes.

30. Qual o superlativo absoluto sintético de «benéfico»:

C.beneficentíssimo

Monday, March 19, 2007

Mail enviado a 14/03/2007 para linguaportuguesa@expresso.pt, relativamente à correcção do 2º teste.


Senhoras e senhores:
Gostaria de começar por vos felicitar pela iniciativa em questão. Contudo considero necessário chamar a vossa atenção para critérios de correcção do 2º teste que não são coerentes.
Na conclusão acerca do emprego da forma Não Flexionada vs. Flexionada do Infinitivo, a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra declara: “Como vemos, «a escolha da forma infinitiva depende de cogitarmos somente da acção ou do intuito ou necessidade de pormos em evidência o agente da acção» (Said Ali). No primeiro caso preferimos o INFINITIVO NÃO FLEXIONADO; no segundo, O FLEXIONADO.
Trata-se, pois, de um emprego selectivo, mais do terreno da estilística do que, propriamente, da gramática.”
O estilo custou-me três pontos: um no primeiro texto, outro na pergunta 18 e ainda outro na 23. Relativamente à questão 18, a resposta considerada certa, entra em conflito com o exemplo de INFINITIVO NÃO FLEXIONADO na gramática de referência: “Esta viu-os ir pouco a pouco.” (se o sujeito está explícito e é dado por um pronome oblíquo átono, o infinitivo fica no singular). A pergunta 23 está incorrectamente formulada, não se trata de conjugações verbais, mas de locuções verbais (exceptuando a primeira), segundo a obra de referência para avaliar a exactidão da sintaxe. A TLEBS (Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário) excluiu o termo "conjugação perifrástica", o termo "complexo verbal" passou a designar o conjunto verbo auxiliar + verbo principal. Tendo em conta o critério do emprego do INFINITIVO FLEXIONADO («[Quando há] necessidade de pormos em evidência o agente da acção»), a resposta B é errada, deveria ser: “Havia milhares de pessoas para embarcarem.”
Quanto à resposta C estar errada há muito a dizer, pois se por um lado, a tradição gramatical tem insistido em ter de como a expressão correcta para referir a necessidade ou a obrigação, por outro, a forma ter que começa a ser registada até por lexicógrafos como sinónima de ter de. Por exemplo, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa observa que «modernamente, na língua, tem-se usado. o snt. ter que + infinitivo, no qual esse que tem valor como que prepositivo, em lugar do castiço ter de + infinitivo». Do mesmo modo, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, aceita ter que como variante de ter de. Já Fernando Pessoa dizia: «Quem quer passar além do Bojador/ Tem que passar além da dor.»
De acordo com o regulamento “a obra de referência para avaliar a exactidão da grafia das palavras é o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, editado em Maio de 2004 pela Porto Editora”, ora não tendo disponibilidade financeira para adquirir o dito, assumi que a sua versão online seria igualmente fiável. Paguei cara a assunção, custou-me dois pontos. Na pergunta n.º 13, de acordo com a definição online: “homúnculo: pejorativo, homem insignificante, desprezível; questiúncula: questão fútil, discussão sem importância.” Segundo a obra de referência para avaliar a exactidão da sintaxe trata-se de DIMINUTIVOS ERUDITOS. Na pergunta n.º 24 diz acerca de imirjo: presente do indicativo de imergir (1.ª pessoa do singular). Contudo a Nova Gramática inclui o verbo imergir no grupo dos VERBOS DEFECTIVOS: verbos que não possuem a 1.ª pessoa do presente do indicativo. No regulamento deviam avisar que as duas obras de referência dão informações opostas e no segundo caso erradas. É verdade que são questões de sintaxe e não de grafia, mas isso não justifica a flagrante disparidade.

Respeitosamente,
Paula Pintassilgo


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Hoje vou desabafar sobre o Campeonato Nacional da Língua Portuguesa.

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Monday, December 18, 2006

E as filhas, as filhas...como falar das nossas filhas? Uma filha é uma boa desculpa para comprarmos todos aqueles brinquedos que nunca tivemos em crianças; é uma forma assustadora de nos recordar como éramos aos 13; é a pessoa com quem pensamos que vamos deixar de nos preocupar quando chegar a adulta, mas que nos continuará a preocupar quando tiver 40. Ás vezes amar uma filha pode ser difícil, têm tendência para gostar de tudo o que nós não apreciamos, mas são mais parecidas connosco do que gostaríamos de admitir. No entanto, a melhor cura dos nossos males é ouvi-las rir.


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Friday, November 24, 2006

A vinda dos filhos tudo muda, a nossa vida nunca mais volta a ser a mesma, não há retorno e isso é assustador: O dia em que primeiro filho nasce é uma experiência aterradora e isso ninguém nos diz. Mas depois eles crescem e tornam-se os seres mais adoráveis que alguma vez pensamos encontrar, o nosso peito enche-se duma sensação tão incrivelmente avassaladora que só pode ser Amor, numa forma irreconhecível a quem nunca amou um filho.

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Wednesday, November 08, 2006

São os filhos que nos ensinam o sentido do verbo “preocupar”. Antes deles não nos lembramos de ter dado tanta importância ao estado do mundo, as notícias não eram assim tão perturbadoras. A ansiedade assalta-nos quando pensamos no seu crescimento. Será que irão ter oportunidade de crescer? Haverá um mundo para eles crescerem?

Obrigado pelo seu comentário gentil Kafie. Quanto ao objectivo do blog é falar sobre ser mãe, o que implica, o que complica...Eu escrevo sobre o que sinto e penso, quem lê pode fazer o mesmo.

Wednesday, October 11, 2006

Às sete da manhã trouxeram-ma, confirmei com ansiedade, era a minha Inês, quis amamenta-la, mas ela recusava-se a agarrar no mamilo. Soube depois que durante a noite a tinham alimentado a biberão, só consegui amamentá-la meia dúzia de vezes, dava menos trabalho chupar a tetina, já o aprendera. O colostro, tão importante nas primeiras horas do bébé para o seu sistema imunitário e para estimular as glândulas mamárias, desperdiçado devido a um detalhe burocrático. Estive dois meses a tirar o leite à bomba, mas um dia secou. Começara a minha odisseia, a de uma mãe convicta que só ao pé dela a sua filha está bem.

RESPOSTA A "me": É isso o que realmente pensa ou está só a dizer o que é suposto?

Friday, September 08, 2006

Sonhava com amamentar, tinha adorado estar grávida, modéstia à parte era uma grávida resplandecente. Não engordara um quilo mais do que o peso da Inês, mantivera-me elegante e orgulhava-me disso, sem sacrifícios, pura e simplesmente sentia pouca fome. Estive a noite inteira à espera do meu bébé, mas como ela nascera de noite, o berçário fechara, e não a vi até de manhã (só fiquei a saber deste facto posteriormente) apesar dos pedidos insistentes às outras parturientes para chamarem a enfermeira que me tinha dito: “Levo-a já.”. Não consegui dormir, fechava os olhos e via alguém a levar a minha menina ao encoberto da noite, o único pensamento reconfortante que conseguia ter era que ela era inconfundível, já a vira, não me podiam entregar outro bébé sem ser o meu, saberia que não era meu.

Eu sei que o nome do blog é por demais ouvido e usado, mas comente que eu respondo. A ideia é estabelecer diálogo, este é um espaço pensado para quem queira desabafar e ser respondido. Diga de sua justiça...


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Saturday, September 02, 2006

A Inês nasceu num dia de Novembro às dez da noite, depois de nove horas de expectativa, de dor, de epidural, de ameaça de cesariana porque o seu ritmo cardíaco estava irregular. Saiu por fim e foi imediatamente pousada em cima da minha barriga. Era a cara chapada do pai, até ao pormenor do característico bico de viúvo. A mãe do meu marido quando viu a sua única neta, filha do seu único filho afirmou emocionada: “É o meu filho pequenino novamente!”

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Thursday, August 31, 2006

Primeira ecografia, passada a angústia inicial, estava tudo bem, a criança estava a desenvolver-se de acordo com o esperado. Segunda ecografia: “O coração está bem, conseguem-se ver os rins na perfeição. Repare aqui o crânio, a coluna, as pernas flectidas, mas... deixe-me ver...quer saber o sexo? Sim? É uma menina.” Por estranho que pareça não tínhamos pensado muito em nomes. Eu tinha critérios definidos há muito para a sua escolha, tinha que ser pequeno (sempre detestei diminutivos: “Margarida – Guida, Alexandra – Xana, Cristina – Tina, etc., etc., etc.), tradicional, pouco empregue (o meu era daqueles que havia aos cinco na minha turma). Vagueei entre Leonor, Beatriz, Isabel, até que me ocorreu um dos meusepisódios preferidos da nossa História, a história de Inês de Castro. Estava decidido iria ser Inês, ponto final, parágrafo.
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Wednesday, August 30, 2006

Eu estava grávida. Incrível! Não conseguia processar a informação que o funcionário da farmácia me transmitia. Aquele objecto com aparência de termómetro tinha sido mergulhado na minha urina, entregue uns minutos antes, não consigo precisar quantos, e exibia agora uma risca azul. ”Positivo” – afirmava o senhor. Pois, devia ter razão, mas nem o meu cérebro, nem o meu coração compreendiam.
A esta altura é conveniente explicar que aquela era uma mulher casada há cinco anos, com vinte e nove anos de idade, e fazia amor há vários meses sem nenhum tipo de contraceptivo, na expectativa de engravidar. Como diz o popular provérbio: “Quem anda à chuva molha-se!”, parecia ser a conclusão lógica, mas nem assim. Qual lógica qual carapuça! A lógica não tem definitivamente nada a ver com o assunto.
A noite fria de Fevereiro em que o sono não veio e uma excitação desconfortável tomou conta de mim era afinal uma premonição da ansiedade que o meu futuro encerrava. Essa foi a primeira de muitas noites insones.
Durante toda a minha vida adulta tinha afirmado que nunca iria ter filhos, não me achava particularmente maternal, apesar de adorar crianças e de o sentimento ser recíproco. De alguma forma, ser mãe não parecia ser uma decisão acertada no meu caso. Mas as nossas convicções mudam, faz parte da vida, do processo de crescimento, da aprendizagem permanente que é estar vivo, da necessidade de amadurecer para melhor compreender quem nos rodeia. E sejamos sinceros nada nos torna mais humanos do que ser pais. E pronto estava decidido, ia ser mãe.

Monday, August 28, 2006

Que fiz eu hoje?

Hoje deixei alguma loiça por lavar,
A cama foi feita pelas três e meia.
As fraldas tiveram de molho um pouco mais tempo,
O cheiro tornou-se um pouco mais intenso.
As migalhas derramadas ontem,
Olham para mim desde o chão.
As dedadas na parede,
Ainda lá estarão no próximo Verão.
Os riscos sujos nos vidros das janelas,
Ainda lá estarão nas próximas chuvas.
Que vergonha! Tu sentas-te e dizes:
Que fiz eu hoje, que valha pevas?

Segurei um bebé até ele adormecer,
Segurei o que começou a andar enquanto chorava.
Brinquei às escondidas,
Apertei um brinquedo que chiava.
Empurrei um carro, cantei uma canção,
Ensinei a uma criança a diferença entre o certo e o não.
Que fiz eu durante todo o dia?
Nada que se veja, pode ser verdade.
A menos que pense: Aquilo que fazia
Era importante para alguém
Pequeno, fofo, de tenra idade.
Se for assim...Fiz algo decerto.